Por João Oliveira
Há dois anos passados, em maio de 2000, marcas estranhas chamaram a atenção de um instrutor de vôo em Campos dos Goytacazes (RJ). Em meio a plantação de cana de açúcar surgiam círculos, triângulos, parábolas com até noventa metros de diâmetro.
Marco Antonio, mais conhecido como “Careca” fez contato comigo (apresento um programa diário na Rádio Litoral Fm e deixo claro meu interesse por determinados temas), voamos até os locais e fizemos as primeiras de muitas fotos.
Algumas dezenas de teorias foram levantadas sobre a origem das marcas. Desde marcas causadas pelo sistema de irrigação até bactérias tremendamente organizadas. O assunto causou um certo “barulho” em alguns veículos, sendo matéria na revista UFO, Jornal O Globo, O Dia, Folha da Manhã e etc. Mas ninguém deu a solução final para a origem de todas as marcas.
Complicando um pouco as coisas as marcas continuaram a aparecer mesmo com o solo arado. Só sendo possível visualizá-las do alto e estando em locais de difícil acesso, o mistério continua.
No começo de setembro mais um alerta foi dado pelo instrutor de vôo: - Marcas de novos formatos!
MARCAS 2002
Campos dos Goytacazes fica localizada no norte do Estado do Rio de Janeiro, dista da Capital pouco mais de três horas de carro, uma planície a perder de vista com um único acidente geográfico, o Morro Itaóca. Que também não é grande coisa, pois tem aproximadamente 500 metros de altura.
Próximo ao Itaóca surge a Lagoa de Cima, um lago de porte médio, de origem vulcânica, água turva e fundo lamadiço. Neste cenário, longe do centro urbano, um novo capítulo se abre nas histórias das marcas em canaviais.
Quando estávamos sobrevoando a área, uma das marcas se destacou pela sua geometria e tamanho. Localizada no meio de um canavial, distante de qualquer ponte de habitação, ela parecia um enorme carimbo do símbolo da “Shell”, aquela concha dos postos de gasolina. O Ultraleve pareceu pequeno quando passamos em rasante. Essa marca precisava ser vista do chão.
Foi difícil de localizar, pois a cana forma um paredão, o que tem dentro está fora do campo visual, são quilômetros de cana alta. A estratégia foi montada: um do alto, utilizando o ultraleve e outro no chão com o carro de reportagem da rádio, unindo os dois, a tecnologia dos rádios de comunicação.

Mesmo com todo o aparato, chegar ao ponto não foi fácil, mas valeu a pena. A marca parece mesmo ter sido carimbada no local. Em volta a terra é fofa, se pisar com força o pé chega mesmo a afundar, mas na marca o terreno está compactado e num nível inferior. Imagine se algo pesando algumas toneladas tivesse “pousado” na vertical, ficado algum tempo, e depois tomasse seu rumo, saindo do mesmo jeito, na vertical.

Quando cheguei próximo ao centro percebi que o “buraco” tinha quase 50cm de profundidade. Mas olhando no chão eu podia ver as marcas do arado. A terra foi preparada, a cana foi plantada, mas alguma coisa aconteceu há alguns meses, quando a cana ainda estava crescendo. O que ocorreu impediu o crescimento da cana e deixou a marca. As ervas daninhas, que não são facilmente controladas, cresceram e formaram a vegetação rasteira que podemos ver nas fotos.

No meio daquele nada, no centro de canavial, fica impossível de acreditar que alguém (com qualquer tipo de intenção) tem feito aquilo de forma proposital. A maioria dos moradores mais próximos nem luz elétrica tem em suas residências. Marcas da Inglaterra, sinais em plantações de trigo, não pertencem ao vocabulário dos bóias frias. Mas luzes no céu e ruídos estranhos... bom, ai a situação muda...
TESTEMUNHAS
Elizangela Berto da Silva tem 20 anos, ela e sua irmã Rosangela tomaram banho mais cedo naquela noite de sábado só por um motivo especial: tinha um comício na região. Moradora da Estrada da lagoa de Cima, numa pobre localidade chamada Margarida, ela não desfruta de muitas opções de lazer. Um comício tem show, uma rara oportunidade de dançar e quem sabe até arranjar um namorado.
Infelizmente seu caminho foi cortado por uma luz vermelha que emitia um forte zumbido. Na estrada escura e deserta as duas gritaram e correram, não foi lá uma idéia muito boa, a luz continuou sua trajetória, do alto para baixo até desaparecer dentro do canavial. Segundo Elizangela a luz sumiu, dentro do mato, a menos de 200 metros de onde elas estavam. Refeito o susto, seguiram o caminho, afinal não se tem festa todo dia em Margarida.
Wanderley Cardoso tem 19 anos, nome de cantor e sabe de cor a hora e os minutos em que teve seu contato com o desconhecido: 20h47m. Só não lembra direito o dia, mas também foi no começo de Agosto de 2002. Andando de bicicleta pela estrada de Lagoa de Cima avistou a menos de seis metros de altura e a uma distancia de 50 metros uma luz de cor azulada. Uma bola – descreve ele – pequena, não mais de cinqüenta centímetros.
Ao perceber que a luz estava vindo em sua direção Wanderley mudou o rumo e pedalou com velocidade na direção de sua casa; a luz (zumbia de doer os ouvidos!!) parou numa determinada esquina e ficou parada, flutuando, depois voltou pelo mesmo caminho que fez para ir ao encontro do rapaz e desapareceu, em meio ao canavial.
Neste dia não foi só o Wanderley que viu a luz, ele garante que alguns amigos também viram, pois o brilho era muito forte.
Nem todos os moradores da região têm historias de luzes para contar, sem iluminação de rua e sem opções noturnas a vida dorme cedo em Margarida e a noite fica lá fora com seus mistérios.
DEPOIMENTO CIENTÍFICO
O Dr. em Física pela UENF, Marcelo de Oliveira Souza, foi consultado a respeito dos círculos e nos deu seu depoimento:
"Visto do ultra-leve o circulo impressiona. Próximo a ele não há nenhuma formação parecida. Ao entrar no canavial em busca do círculo não é possível percebe-lo, como voce ja havia enfatizado. O desnível existente no circulo, o seu centro esta localizado em um nível mais baixo do que as bordas faz com que haja acúmulo de água no local, esse e um forte indício no sentido de que o local é uma região não propicia para a plantação de cana. Esse indício foi apresentado pelo jornalista Aldefran Lacerda e corroborado por trabalhadores da região, que se referem ao local como um pequeno brejo. Para mim esta é a justificativa para não haver cana plantada nesse local. Não obtive dados suficientes para afirmar algo sobre a origem desse desnível no meio de uma grande planície."
A PESQUISA CONTINUA
A próxima etapa é voltar ao local para colher material para análise. Em Campos existe a UENF, Universidade Estadual do Norte Fluminense, com modernos laboratórios de pesquisa. Num contato superficial com alguns pesquisadores ficou claro o interesse de alguns profissionais em ajudar a elucidar o caso, como foi o caso do Dr. Marcelo. A coleta, no entanto, deve observar alguns parâmetros para que não haja contaminação de qualquer tipo. Por isso estaremos marcando a data da volta ao local. Breve teremos novas informações sobre as marcas do Norte Fluminense.
Texto: João Oliveira – oliveira@ufologo.com.br
Fotos: João Oliveira, Marco Antonio e Renatos Boldes (Rádio Litoral)