Nenhum dos predadores locais mata desta maneira. Tudo ocorre de noite e em silencio. Os vizinhos realizam rondas e a Polícia iniciou uma investigação.
El Fuerte (Enviados especiais) - Os moradores de El Fuerte, uma rústica localidade do Departamento de Santa Bárbara, não falam de extraterrestres mas estão convencidos que a mutilação de aves de galinheiro registradas nos últimos dois meses, é uma coisa muito rara.
No início, não se deu maior importância às mortes das galinhas, que apareciam “drenadas” (sem sangue) pelo esfíncter anal e sem nenhum tipo de marcas nem sinais de resistência.
Maria de Morales, dona dos animais, disse ao PREGON que no começo pensou que eram gatos famintos os responsáveis, mas que quando chegou a oito as aves mortas desta estranha forma, o alarme e o medo se apoderou da família. E aí começaram as interrogações sem respostas: nenhum dos predadores conhecidos no local mata suas presas desta maneira.
Além do mais, as mortes sempre ocorrem à noite e sugestivamente, o galinheiro amanhece sem nenhum sinal de resistência nem luta, coisa jamais vista antes pelos habitantes do lugar.
Com a idéia de encontrar o autor dos ataques, os vizinhos realizam rondas de noite, mas até agora não encontraram nada.
Entretanto, esperam os resultados de uma investigação que a polícia provincial iniciou ao levar, para estudar, o corpo do último frango morto em tão estranhas circunstâncias.
OPINIÃO DE UM VETERINÁRIO
“Coisa difícil de explicar”
O veterinário Alfredo Vicente Lozano, consultado ontem pela reportagem do PREGON, afirmou que, da mesma maneira que os casos das vacas mutiladas no centro e sul do país, o sucedido em El Fuerte “é uma coisa difícil de explicar”.
Coincidindo com as opiniões dos moradores de El Fuerte, Lozano explicou que os predadores silvestres que vivem naquela zona não atacam desta maneira a suas presas.
“Drenar um animal, seja bovino ou uma galinha, é algo estranho; não conhecemos um predador que faça este tipo de mortes nem mutilações”, assegurou.
Depois de indicar que não são casos habituais nem normais, explicou que outra circunstância de difícil explicação é que as aves haviam aparecido mortas no interior do galinheiro, sem golpes e sem marcas de resistência.
Considerou também que a drenagem do animal pelo esfíncter anal "é muito mais difícil se o animal estiver vivo". Quando se trata de incursões de raposas ou similares no galinheiro -indicou- "cai sangue e penas, sinais de haver sido mordidas e geralmente se carrega a presa".
Lozano também considerou estranho o caso reportado por outro vizinho de El Fuerte a respeito de um porco do qual “algo” lhe devorava as orelhas durante as noites. “Os vampiros (morcegos) que temos na região -explicou- chupam o sangue do gado e cavalos; os mordem no lombo, se vão e os deixam sangrando. Atacam durante a noite e deixam marcas evidentes. Os porcos também podem ser vítimas dos vampiros”.
No entanto, quando lhe dissemos que os vizinhos afirmam que não se trata de vampiros, Lozano estimou que “é mais factível que um rato o tenha feito, o que não é menos raro”.
“Pela ação das feridas anteriores, o sangue é um atrativo, é algo que pode cheirar e atrair ao roedor”, disse.
San Salvador de Jujuy, Segunda-feira, 29 de Julho de 2002 - AÑO VII - N° 1999